terça-feira, 24 de abril de 2012

Cipó - Considerações finais

O desenvolvimento da pesquisa nos esclareceu diversas dúvidas, bem como trouxe à tona a importância e presença da cultura indígena para nós. Descobrimos que os índios estão muito mais presentes na nossa realidade do que imaginávamos, são muito além do que as revistas, a internet, a televisão e os livros de história mostram. Descobrimos a nossa culpa e responsabilidade na manutenção da sobrevivência da cultura indígena, e como é valioso conviver em harmonia com esse povo tão nosso.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Cultura Brasileira. Comunicação Social - Jornalismo, 2012.1
Profª Maria Iglê

Alice Oliveira
Ana Clara Dantas
Dgershon Câmara
Francisca Olga
Isadora Beatriz
Jeanderson Moura
Jefferson Bernardino
José Júnior
Paulo Rodrigo
Taís Ramos

*Recortes de pinturas da aluna Carla Beatriz.

Cipó - 9. Mitos (parte 2 de 2)


Continuando o tema dos mitos indígenas, trazemos agora a segunda e última parte do assunto. Este é um conto também bastante conhecido em todo o Brasil. Fala sobre a origem um dos pássaros com um dos mais belos cantos de todos: o uirapuru. Assim como no mito anterior, a imagem de Tupã se faz presente neste também, assim como também o romantismo e a magia. Existem outras versões da história, mas deixaremos aqui uma das mais famosas.

“Uirapuru – O Canto Encantado”

Em uma certa tribo, um jovem, não muito belo, era admirado por todas as jovens por tocar muito bem sua flauta. Deram a ele então o nome de Catuboré, que significa “flauta encantada”. Dentre todas as moças da tribo, a única que realmente conquistou seu coração foi a bela Mainá.



Os dois iriam se casar na primavera, e por isso estavam muito felizes. Um certo dia, Catuboré saiu para caçar. Mainá ficou esperando por ele, mas Catuboré não voltava. Por causa de sua demora, toda a tribo foi procurar o jovem rapaz. Depois de muita busca, acabaram encontrando-o sem vida, embaixo de uma árvore. Havia sido picado por uma cobra peçonhenta. Ele foi sepultado no mesmo local onde foi encontrado.



Mainá ficou aos prantos. Passava horas lamentando aos prantos a perda de seu amado. A alma de Catuboré lamentava profundamente o sofrimento de sua noiva, não encontrando assim paz. Resolveu então pedir ajuda a Tupã, que transformou então a alma do jovem no pássaro uirapuru, que assim como Catuboré era quando vivo, possui escassa beleza, porém, um canto maravilhoso, que se assemelha ao som da flauta tocada pelo jovem. Isso fez com que Mainá se alegrasse. Até hoje o canto do uirapuru encanta os outros pássaros e seres da natureza.

Cipó - 8. Mitos (parte 1 de 2)

A cultura indígena sempre foi rica quando nos referimos aos mitos. Na verdade, pode-se dizer que praticamente tudo o que acontece no mundo tem uma razão espiritual para os índios. Porém, existem algumas lendas que atravessaram a barreira do mundo indígena e chegaram até os homens das cidades, tornado-se assim bastante difundidas. Nessa primeira parte do texto sobre o assunto, veremos uma lenda que se tornou famosa para algumas pessoas tanto pelo seu romantismo como também pela sua magia.

“Potyra – As Lágrimas de Diamantes”

Em uma pequena aldeia indígena existia uma jovem e linda indiazinha chamada Potyra. Vários jovens da tribo, encantados com a beleza da moça, desejavam tê-la como esposa. Porém, o coração de Potyra pertencia somente ao jovem guerreiro Itagibá, o braço de pedra. Enquanto aguardavam a idade para poderem se unir de fato, os dois procuravam sempre se encontrar a beira do rio para trocarem juras de amor.



Ao chegar à idade do casamento, Itagibá conseguiu sua condição oficial de guerreiro. Os dois se casaram e foram viver suas vidas juntos, como tanto desejavam. Todas as vezes em que Itagibá saia da tribo para caçar, Potyra ficava esperando ansiosa reencontrar seu amado, e essas curtas separações acabavam deixando os dois ainda mais unidos.
Até que certa vez a tribo foi atacada por inimigos. Itagibá e os outros guerreiros partiram para a guerra, descendo rio abaixo com suas canoas. Potyra via o seu amado indo embora, mas não sabia o que sentia realmente vendo-o partir.

Então, depois disso, Potyra ia todos os dias se sentar à beira do rio esperando a volta de Itagibá, com um olhar de ansiedade, tristeza e saudade. O tempo passou, até que um dia foi anunciado que Itagibá não voltaria, pois tinha sido morto na guerra. Potyra ficou desolada. Começou a chorar desesperadamente e foi até a beira do rio. E ficou lá, chorando, todos os dias sem falar nada. Apenas soluçando e derramando suas lágrimas no rio.
Vendo a tristeza da jovem, Tupã, o deus dos raios, se sensibilizou, e fez com que suas lágrimas se transformassem em diamantes. Esses diamantes foram aasim levados pela correnteza do rio, chegando até a sepultura de Itagibá, como prova do eterno amor de Potyra.